domingo, 17 de fevereiro de 2013

Honra


Ganhei o Evento Semanal lá no Blog das Histórias e Poesia :D O tema da semana passada era Honra e segue-se a História que escrevi para esse tema ^^


Honra - por: Ali-chan


A pobreza atingiu-me desde novo. Perdi os meus pais cedo, vivi num orfanato, tive pouca educação e muitos maus tratos por lá, cresci a pensar que tudo aquilo seria normal, mas apesar de tudo, não vacilei, tentei ao máximo pôr-me de pé sempre que caia. A vida não era boa comigo, muito pelo contrario, voltava-me as costas a rir, mas sempre pensei que um dia ia fazê la virar-se e aplaudir. Apesar de tudo isto e de todas as tentativas para me pôr de pé, nunca arranjei trabalho, vivia pelas ruas, não tinha condições para estar apresentável ou ficar estável, mas tentava o meu melhor. Estou agora com 32 anos, sobrevivi nas ruas, percorri o mundo, sem dinheiro, muitas vezes descalço, já desde novo, mas nunca perdi a fé nem a confiança em mim mesmo. A comida era difícil de arranjar, os contentores do lixo dos restaurante era sempre a melhor opção, os Homens não passam de uns tolos, tanta comida colocada ao lixo, mas dou graças pela sua tolice, tenho refeições todos os dias, o lixo de uns é o tesouro de outros. Apesar de todos os fatos e contratempos que a vida tão graciosamente me impõe, eu luto todos os dias contra mim mesmo, todos temos as nossas batalhas interiores, umas mais banais do que outras, no meu caso é em situações do dia-a-dia, seria tão fácil roubar e ter comida decente, seria tão fácil assaltar pessoas indefesas para conseguir ter o luxo que eles têm. Tudo isto me passa pela cabeça todos os dias, mas existe sempre algo que interrompe tais sonhos maliciosos, a minha honra. Vejo alguém a deixar cair a sua carteira, eu pego-a entre a multidão. - Seria tão fácil fugir agora, ninguém sequer percebeu. - Pensava eu. Mas minhas pernas seguiam o bom senso, a humildade, e a honra. Posso não ter, mas lutarei para o conseguir, era assim que terminavam todos os dilemas perante as situações fáceis que me davam melhor qualidade de vida. No fim de todas as perguntas e respostas, eu ia até à pessoa, tocava no seu ombro e entregava os seus pertences dizendo - Desculpe, isto pertence-lhe, deixou cair. - Recebo respostas de alegria, irritação, por vezes agressão, alivio, sorrisos, apertos de mão, agradecimentos, não importa o que digam ou façam, a minha honra permite-me viver tudo isto e sorrir a mim mesmo.
Sou pobre e rico, mas acima de tudo, estou bem comigo mesmo.

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